quinta-feira, 10 de setembro de 2020

.17

Nova fragrância
Em minha inspiração repousa
O aroma é tão bonito
Quanto o ósculo de tua boca
Teu batom color trends
É similar ao da outra
Mas tudo parece diferente
As rotas ervas não me dopam

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

.52 do tanto que tenho

Tenho nada
Absolutamente
Não tenho casa
Não tenho mãe
Tenho uma exceção
Tenho uma asa
Invisível e quebrada
Tenho dor
Tenho tristeza
Para vender
Muito barato mesmo
Tenho um coração
Usado
Não tão bem conservado
Despedaçado poucas vezes
Reconstituído a finos trapos
Ainda serve
Para sofrer
E para chorar
Sem devolução

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Diz

Não, não tenho o que dizer, é inútil dizer, anyway
O que queres que eu diga?
Que ainda tenho algo a dizer?
Que ainda restam-nos palavras?
Para quê? Diz! Para quê?
Se tudo o que eu não sei tu sabes de cor (ou dizes)
¡Dile!
Então?
Não! Deixa-nos!
Esquece! Cala-te!
Espera, eu me calo...
De novo a exaltação...
Perdoa-me! Não queria,
Nunca quero!
Não deixo de ser o que sou,
E tu, sempre assim..
Não precisa dizer.
Não digo mais nada.

sábado, 12 de maio de 2012

V - Há metafísica bastante em não pensar em nada

“Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os poetas
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Não é como certas pessoas
Que têm a consciência limpa
Porque nunca a usaram.”

Alberto Caeiro
(em Ficções do Interlúdio, parte de O Guardador de Rebanhos)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

passado

poder ver
você
menina
brincando de coisa inocente correndo gritando chorando-mentindo
seria tão interessante e bonito
eu morreria

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Moonrise Kingdom

O novo filme de Wes Anderson está pertíssimo. E eu estou ansioso. Por que? Porque ele fez Os excêntricos Tenenbauns, fez Rushmore, Fantástico Mr. Fox, e também A vida marinha com Steve Zissou, mas, sobretudo, ele fez The Darjeeling Limited, filme que sou – sem viadagem – apaixonado. Wes Anderson tem um jeito único de filmar e de contar história que não posso explicar aqui.. vejam quaisquer dois filmes dele que entenderão o que quero dizer.

Quando vi The Darjeeling, tive um baque cinematográfico similar ao que tive quando vi, pela primeira vez, Reservoir Dogs de Tarantino. Sabe quando você assiste a algo que é totalmente diferente de tudo que você havia assistido até então e percebe, em um determinado frame, que existe todo um outro universo (às vezes melhor) de linguagem de cinema? Bom, poucas vezes tive esse “baque”, menos do que gostaria.. mas certamente aquele filme foi um dos que trouxeram-me esse sentimento. E consequentemente, passei a conhecer a filmografia daquele diretor/escritor americano, a adorá-la/o, e tudo isso que acabei dizendo é o que causa a minha ansiedade/empolgação.

Não gosto de saber sinopses (porque tenho medo delas), então restrinjo-nos a saber – pelo que notei cerrando os olhos no imdb – que Moonrise Kingdom se passa nos anos 60, tem escoteiros, tem romance entre crianças, o que promete ser fofo, e tem Edward Norton, Bill Murray (claro), Bruce Willis, Tilda Swinton, Harvey Keitel e Jason Schwartzman (claro), entre outros. Enfim, confira por você mesmo o trailer fodástico no final do post.

Será lançado em 16/05 no festival de Cannes (quem dera eu pudesse ver lá) e comercialmente em 25/05 nos EUA. O que, pensando melhor agora, não o deixa tão perto como eu havia dito.. cê lá vi!

Moonrise-Kingdo-poster2

Poster-Edward-Norton-17Abr2012

Poster-Jared-Gilman-17Abr2012

Poster-Jason-Schwartzman-17Abr2012

Poster-Kara-Hayward-17Abr2012

(Tudo isso porque eu fui ler a notícia de que tinha saído um pôster novo do filme.. eita..)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Top 10 álbuns de 2010

Só foi no final de quando estava fazendo esta lista que reparei a agradável peculiariedade de todos os álbuns serem de artistas brasileiros (sobretudo brasileiras).. surpreso, achei que havia esquecido completamente de incluir os gringos; mas depois de consultar o last.fm, comprovei que dos trabalhos daquele ano realmente os nacionais preponderam nas coisas que escutei. Muito porque recentemente, no campo internacional, fiquei restrito à revisão de coisas mais antigas, como Koola Lobitos (primeira banda do Fela Kuti), Anita O´Day e o sensacional Raising Sand de Robert Plant & Alison Krauss, eis porque eu talvez tenha negligenciado – confesso – lançamentos teoricamente relevantes (a mim, digo) de 2010, principalmente o falado The Suburbs de Arcade Fire e The Drums de The Drums. Enfim, desculpas à parte, o importante é que a MPB nova geração está dominando, finalmente, o mercado fonográfico (ou não) (eu acho), digamos só então que está ganhando cada vez mais seu merecido espaço (o meu, pelo menos), o que fica claro no Top 2011 por vir. Sem mais enrolação, a lista dos 10 melhores álbuns de 2010 que ouvi: 
10
Escucha: #4 – Dons ton lle
#6 – Não tema
#9 – Flor vermelha
9
Escucha: #3 - Rinha (já ouviu falar?)
#6 - Então toma
#8 - Rua Augusta
8
Escucha: #2 - Por Aí
#3 - Embrace My Heart And Atay
#6 - Drop The Bombs
7
Escucha: #6 - 1:54
#5 - É só uma impressão, meu bem
#10 - Por certa vez
[Adendo: recomendação de Laís Vinhas] #11 - A gente ainda pode ir pro bar (música que como ela mesmo disse "é uma das que mais gosto de ouvir no carro.. hihihi")

6
Escucha: #1 – Efêmera
#4 – Pedrinho
#7 – Brocal Dourado
[Adendo: recomendações de Laís Vinhas] #9 - Às vezes e #11 Só sei dançar com você
5
Escucha: #1 – Não consigo
#2 – Me sara
#6 – Aquele cara
4
Escucha: #1 – Não se vá
#3 – Forasteiro
#6 – Fuga nº1
3
Escucha: #3 – Prédio
#4 – Maria Augusta
#7 – Nescafé
2
Escucha: #2 – Fiu Fiu
#5 Vê se fica bem
#7 – As palavras
[Adendo: recomendação de Laís Vinhas] #8 - Bicicletas, bolos e outras alegrias
1
Escucha: #6 – Pra sonhar
#10 – Tempestade
#13 – Feito pra acabar
## – Todas
Quase entraram (menção honrosa):
Eu Menti Pra Você - Karina Buhr
Estática - Marcos Valle
Diminuto - Carlinhos Brown
Do Amor - Do Amor
Marina de La Riva Ao Vivo - Marina de La Riva

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Coração


Coração,
Arrebata-me
Leva-me
Tira-me com violência
Priva-me de mim
Arranca-me dessa tumbice que sou
Tem-me irascível
Mas fala, grita, esbraveja
Cala-me a boca
Pra que tudo que eu deseje
Seja sua força
Mesmo à força

sábado, 27 de agosto de 2011

Álbuns que terminam com lullabies

Já há algum tempo eu havia notado, nos CDs que “possuo”, que vários deles têm uma lullaby, ou canção de ninar, e, curiosamente, as lullabies desses álbuns estão sempre na última faixa do disco. Tomado pelo desejo de fazer uma lista disso, segue, então, alguns dos exemplos que aprecio mais. Caso alguém tenha/lembre de outros, por favor, passe-me nos comentários.

Construção – Chico Buarque (1971)

construcao #10: Acalanto (1:38)


Cantar – Gal Costa (1974)

1974_cantar #11: Chululu (0:57)

Weathered – Creed (2001)

Creed Weathered #11: Lullaby (3:06)

Qualquer coisa – Caetano Veloso (1975)

Qualquer Coisa #12: Nicinha (0:46)


Rejoicing In the Hands – Devendra Banhart (2004)

front

#16: Autumn's Child (2:40)

Infinito Particular – Marisa Monte (2006)

infinito_particular

#13 Pelo tempo que durar (3:27)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Oremos

Estudantes, operadores, juristas, colegas advogados:

Orai por nosso falido Código de Processo Penal, que de tanto ir mal das pernas, já não se sustenta mais, nem agüenta aqueles que ofendem ou aqueles que são ofendidos.

E orai, sobretudo, amigos, pelo Inquérito Policial, para que este enfim encontre seu merecido descanso eterno, e reste só como mais uma de nossas mazelas históricas.

(Juntos:)

Ó, Pai, também pedimos pelos escrivães: cuida deles, Senhor.

Fazei deles doutores em paciência. E principalmente para aqueles lotados em delegacias de polícia, trazei-lhes sua luz, meu Pai.

Pedimos, pois que é de direito. Senhor, escutai a nossa prece.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Cartilha do advogado arrojado (I)

Advogado, ao entrar na Delegacia de Polícia, não dê bom dia/tarde ao escrivão, dê-lhe logo um beijo na boca e recite o seguinte trecho do primeiro terceto de Versos Íntimos de Augusto dos Anjos:

“O beijo, amigo, é a véspera do escarro”.[i]

Ao fim, mande chamar imediatamente o delegado. Com alguma sorte, ele não entenderá nada (nem o verso).


[i] Augusto dos Anjos – Versos Íntimos. In Livro dos Sonetos: 1500-1900 (poetas portugueses e brasileiros). Org. de Sergio Faraco. Porto Alegre: L&PM, 1997, p. 94)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

AFK

sopa_de_letras[1]
Não sei mais escrever, agora só sei peticionar. Nada de desenvolver uma linha de pensamento pessoal, hoje só escrevo de acordo a lei e o caso estudado. Não sei  mais redigir 30 linhas de espontaneidade, que dirá 2 laudas, o que faço é tuitar em até 140 caracteres. Importa-me o sintético. É o fim do analítico. Sério! Não é crítica. Até porque eu não mais saberia como escrever uma. É um desabafo.. uma constatação.. não me recordo da última vez que peguei meu caderninho da gaveta, na madrugada, e escrevi.. só por escrever.

Do que restou da protopoesia? Hoje fui reler alguns velhos e nem sequer tive coragem de refazê-los/corrigi-los (ímpeto que sempre acometia-me (sempre)). Agora vivo de “curtidas” e comentários, duas, três palavras no máximo. No meu email, sinceramente, há muito que nem entro mais, acho que tenho medo de que lá haja algum email que mereça uma resposta. Ora, o email é um espaço infinito, não há limitações. Como preencher um espaço tão grande ante nosso moderno mundo atual em que tudo anda, fala, pensa, transmite-se tão depressa?

Devo ter medo. Medo de que o que eu escreva já tenha sido escrito há apenas 2 minutes ago, ou talvez o meu receio seja de que minha opinião não interesse a quem me segue.. Isso explicaria o porquê de eu não mais dar opinião e simplesmente retuitar notícias. O que fazer? Sou mero produto do meio? Sim, concordo. Mas e aí, quer dizer que eu não tenho escolhas? Não pode ser só isso. (Acho que é isso também) Por que sempre queremos pôr a culpa em outra coisa? ... Agora já começo a divagar e a complicar para o leitor... Vê? Como não consigo escrever? Mas o que querem de mim? O que esperam? A faculdade me deixou BURRRO! Já assim explicou @salihamidzic e por isso não me despenderei no assunto.

Mas a despeito disso, que lhe interessam o que escrevo? Interessante ou não.. bom ou ruim.. para falar a verdade, acho que antigamente eu só escrevia porque achava bonito ver meus textos publicados no blog. Hoje parece que tudo que eu escrevo tem que ter uma serventia. Talvez seja esta a causa de meu receio. E se eu escrevesse sem ter por que, sem por e pra onde? Então possivelmente você não me levaria a sério. Mas quem realmente quer algo assim? Eu nem sei mais sobre o que eu estava falando no primeiro parágrafo. Bom, eu te avisei. Ê lelê..

sábado, 14 de agosto de 2010

.42

Há patos na lagoa
E tem um que se afunda
Pobre pato...
Pobre pato?
Será o benedito?
Ou Ubaldo?
Que nada?
Nada disso
Ali quem ia era outro
Uma patota!
Nadando e mergulhando
Fazendo graça de afundar-se
Fingindo suicidar
Opa!
Que nada!
Patacoada...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

.55 Prosopopéia

Eu no meio e as paredes se apertam;
Deveríamos sê-las; como elas,
Romper as barreiras de janelas,
Portas, armários e outras duas paredes que lhes
                                                        [arrestam.

Pois sim, parece que minhas paredes
                              [apaixonaram-se.
O verde mais verde que existe,
O mais alegre e o mais triste.
Que dá verde com vermelho sangue?

Coisa extraordinária é a paixão!
Não há maior incêndio (falo de cadeira).
Faz-te diverso de ti, põe-te duplo em si.
Por isso, não me chamem tentando encontrar-me,
                                                [pois não estarei.

Aqui não sou eu; para o momento de eternidade:
Sou eu duas linhas, sou meu eu apaixonado,
Somos eu e a parede, somos o mesmo espaço.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Sad news

lhasa (2) Ontem fui pego desprevenido.. enquanto procurava onde estavam as últimas partes de seus vídeos filmados em Montreal, fiquei sabendo da mais triste das notícias.. morreu, no começo deste ano, uma de minhas mais tenras paixões: Lhasa de Sela. Senti que tinha de homenageá-la de alguma forma aqui (ou mesmo somente dela lembrar, como faço agora), mas pensar em qualquer coisa para escrever mostrou-se pretensão além do meu alento, eis que passo agora apenas a traduzir o último press release oficial sobre aquela que alcunhei de Florbela Espanca da música:

Official press release

Para imediata publicação

Em Montreal, Canadá: Domingo, 3 de Janeiro de 2010

A cantora Lhasa de Sela faleceu em sua casa em Montreal na noite de primeiro de Janeiro de 2010, logo antes da meia-noite.

Ela sucumbiu a um câncer no seio depois de uma longa luta de vinte e um meses, a qual enfrentou com coragem e determinação.

Através deste difícil período, ela continuou a tocar as vidas daqueles ao redor dela com sua graça característica, beleza e humor. A sua força de vontade levou-a novamente para o estúdio de gravação, onde concluiu seu mais recente álbum, seguido pelo sucesso da gravação de seus principais lançamentos em Montreal, no Théatre Corona e em Paris, no Théâtre des Bouffes du Nord. Dois shows na Islândia em maio acabaram sendo seus últimos.

Ela foi forçada a cancelar uma longa turnê internacional agendada para o Outono de 2009. Um futuro álbum projetado com as canções de Victor Jara e Violeta Parra também foram descontinuados.

Lhasa de Sela nasceu em 27 de setembro de 1972, em Big Indian, Nova York.

A infância incomum de Lhasa foi marcada por longos períodos de vagueação nômade pelo México e pelos EUA, com seus pais e irmãs no ônibus escolar que faziam de casa. Durante este período, as crianças improvisavam, teatralmente e musicalmente, representando para seus pais todas as noites. Lhasa cresceu em um mundo impregnado com a descoberta artística, longe da cultura convencional.

Mais tarde Lhasa tornou-se a artista excepcional que o mundo inteiro descobriu em 1997 com La Llorona, seguido por The Living Road de 2003, e o auto-intitulado Lhasa de 2009. Estes três álbuns venderam mais de um milhão de cópias pelo mundo.

É difícil descrever a sua voz única e presença de palco, o que lhe rendeu status de ícone em muitos países ao redor do mundo, mas alguns jornalistas têm-na descrito como apaixonada/passional, sensual, indomável, terna, profunda, perturbadora, encantadora, hipnótica, silenciosa, poderosa , intensa, uma voz para todo o tempo.

Lhasa tinha uma forma única/singular de comunicação com seu público. Ela se atreveu a abrir seu coração no palco, permitindo que seu público experienciasse uma íntima conexão e comunhão com ela. Ela afetou profundamente e inspirou muitas pessoas pelas cidades e países que visitou.

Um velho amigo de Lhasa, Jules Beckman, ofereceu estas palavras:

"Nós sempre ouvimos algo ancestral vindo através dela. Ela sempre falou a partir do limiar entre os mundos, como se fora de seu tempo. Ela sempre cantou a tragédia humana e o triunfo, alienação e procura com uma sabedoria testemunhal. Ela colocou sua vida aos pés do Invisível ".

Lhasa deixa para trás seu companheiro Ryan, seus pais Alejandro e Alexandra, a madrasta Marybeth, seus 9 irmãos e irmãs (Gabriela, Samantha, Ayin, Sky, Miriam, Alex, Ben, Mischa e Éden), seus 16 sobrinhos e sobrinhas, seu gato Isaan, e inúmeros amigos, músicos e colegas que acompanharam-na ao longo de sua carreira, para não mencionar seus inúmeros admiradores em todo o mundo.

Sua família e amigos íntimos foram capazes de chorar em paz durante os últimos dois dias, e muito têm apreciado este período significativo de tranquila intimidade. Funeral e demais serviços serão cuidados particularmente.

Tem nevado por mais de 40 horas em Montreal desde a partida de Lhasa.

(Traduzido livremente a partir do “2010-01-03 - Press release”, disponível em <http://lhasadesela.com/lhasa_de_sela/menu.php?lang=en>, acesso em 11/01/2010).

lhasa2 
Good bye, Lonely Spider
Serás siempre bella al mundo
Et aimé pour d'innombrables époques

“Lhasa de Sela: Live in Montreal”, a film by Vincent Moon:
1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7

Scène Glenmor - “De cara a la pared”:

"La celestina":

Festival d'été de Québec 2005 - “Pa'Llegar a tu Lado”:

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Top 5 álbuns de 2009

Aproveitando que neste naquele memorável dia de 04 de dezembro vazou o disco novo de Mallu Magalhães, resolvi terminar a lista dos melhores álbuns de 2009 na minha opinião.Fazer esta lista esse ano foi dureza, para se ter uma parca idéia: da primeira parcial publicada em julho tive que retirar 5 álbuns!
Foram lançados muitos discos ótimos de janeiro a dezembro, e, surpreendentemente, neste ano o Brasil comandou na minha lista geral.. que bom! Enfim, os eleitos:

1. Estudando A Bossa: Nordeste Plaza (Tom Zé)
Bada-badi, bada-badá! Na terceira edição dos “Estudandos” (os outros foram o “Estudando o Samba” em 1975 e o “Estudando o Pagode” em 2005), Tom Zé explica a Bossa e a história do produto do grau mais alto da capacidade humana já produzido pelo Brasil nesse disco cheio de síncopes e bim-boms. Álbum “sério” de quem é um dos maiores mestres contemporâneos (leia-se de 40 anos pra cá) na arte de fazer música! "Esse verdadeiro documentário sonoro", citando o Maestro Júlio Medaglia. Não há muito que deva-se dizer, só escutar! Favoritas: Outra Insensatz, Poe!, Síncope Joãobim, João Nos Tribunais, Roquenrol Bim-Bom.

2. Navega (Mayra Andrade)
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgO6CXj__0dMo10wiw2DtsBxhFb1dXIBt4hutEXzaxjqC-47IAmrsE7MuKKBMtn_tfGKC8Z1kYMbDhY5K-2xDM2-VqUTTGQDWQz1lv_BdiW-wgMaCzr3MAgyieVswFXAjt_u9D-kw/s320/mayraandrade.jpgMayra Andrade é a cabo-verdiana que tomou meu coração de assalto no começo do ano. A vi pela primeira vez num vídeo do youtube (apagaram =/) em que ela cantava com Mariana Aydar a música Tunuka, vídeo que a mim foi “recomendado” por Caetano Veloso através de seu antigo blog; e foi através dela e dele que passei a conhecer  também Orlando Pantera, autor de Tunuka e Lapidu na Bo e futuro expoente de Cabo Verde, se não fosse pelo acidente trágico que levou à sua morte prematura. “Navega” é cantado todo no dialeto crioulo – com exceção da faixa Comme s'il en pleuvait, em francês – e da mesma forma que a língua encanta, assim faz também o “poder suave” da voz de M.A. e de todas as músicas, cuja originalidade é de deixar qualquer um estarrecido.. uma melhor que a outra! Favoritas: Regasu, Mana, Tunuka, Lapidu Na Bo, Navega, Lua.

3. Tonight: Franz Ferdinand (Franz Ferdinand)
http://3.bp.blogspot.com/_RZZEzqiR9hs/SXGPVcGWi_I/AAAAAAAADnI/CPBXp5NN_fs/s400/Ferdinand+-+Tonight+Franz+Ferdinand+2009+(Full+Album).jpgMuito esperado. Esperadíssimo! O mais esperado do ano! E isso tende a ser ruim, pois muitas vezes as bandas indies acabam não correspondendo à expectativa, mas não,  isso não aconteceu com Franz Ferdinand. O “Tonight” correspondeu a todas as minhas expectativas. Poha niuma! As superou de lavada! Foi como acordar com um banho de água gelada na cara.. Acorda, que Hoje à noite: Franz Ferdinand! Impossível ouvir esse disco apenas sentado na cadeira. Desafio: tente não dançar! Favoritas: Can't Stop Feeling, No You Girls, Ulysses, What She Came For, Live Alone, Lucid Dreams.

4. Lhasa (Lhasa de Sela)
Mi pasión. Ma passion. My love. Lhasa é linda sob todas as formas, mesmo ficando careca, eu sempre a acharei das mais lindíssimas das mulheres! (Curioso como o artístico/espírito influi no físico). E devo agradecer aqui – mesmo que indiretamente – a uma pessoa a mim muito especial, quem me apresentou Lhasa, juntando esta nova paixão ao já desordenado emaranhado de mulheres que é meu coração [culpa tua, vês?]. Enfim, Lhasa de Sela é quem considero ser a Florbela Espanca da música. Ela sofre, ela chora, ela é triste e você consegue perceber toda essa emoção na sua voz única e marcante, mas ao mesmo tempo ela sorri enquanto canta, ela deleita-se na sua própria amargura, e o faz delirar com ela. Ela é artista no melhor sentido do termo: “Eu nunca quis ser uma estrela pop. Queria fazer música do fundo do meu coração. A carreira artística é importante, mas para mim a minha vida tem ainda mais valor. Quero ser verdadeira para comigo. Senão sou apenas uma operária da música.” E seu terceiro disco, que leva seu nome, expressa exatamente esse desejo, trazendo o álbum dessa vez todo em inglês, ela canta músicas de alma, de amor fecundo, de soror saudade, de charneca em flor.. poesia em música! Que posso mais dizer? Ouçam. (E ouçam também “La llorona”, álbum em espanhol, e “The living road”, em suas línguas maternas e em francês). Favoritas: Is Anything Wrong, Love Came Here, Anyone and Everyone, I'm Going in, The Lonely Spider, A Fish on Land.

5. Zii e zie (Caetano Veloso)
ziiezieGraças a deus, Caetano e Chico ainda fazem discos, ainda compõem, ainda musicam o Brasil! E neste ano, a vez foi de Caetano com seu '”zii e zie” ou “tios e tias”, nome escolhido como forma de aproximação com São Paulo, mesmo sendo um álbum, essencialmente, de samba carioca e de cenário literário tipicamente brasileiro, com “letras que olham para mais longe” do que no a/i/nterior “Cê”, conforme diz o próprio. Negros, asfalto, pneu e mar, é assim que Caetano descreve a cena de clima noturno da música Por quem?, a mais alta e misteriosa (e por isso e mais, belíssima) do disco, se não de toda obra do cantor. Nesta sua fase, ouve-se um Caetano ao encontro da velhice, ao mesmo tempo em que está alheio a ela, um safado, um despreocupado, que já passou do tempo de se importar com a crítica e de prender-se a  qualquer coisa que seja; ante guitarras transambas, arranjos estranhos e perfeitamente produzidos, está o Caetano que nunca deixa de ser original, mesmo trazendo no novo trabalho dois sambas antigos, Incompatibilidade de Gênios e Ingenuidade, gravados originalmente por Clementina de Jesus e através dos quais Caetano começou a pensar na realização do CD, que foi novamente gravado em conjunto com a bandaCê – Marcelo Callado, Ricardo Dias Gomes e Pedro Sá – unida para a consecução do álbum lançado em 2006. Zii e zie: Mais um para a discografia básica brasileira. (Registre-se que Los Hermanos é citado em uma das músicas, além de também o ser no pre-release, bem como o produtor  Kassin).  Preferidas: Por Quem?, Lobão Tem Razão, A Cor Amarela, Base de Guantánamo, Falso Leblon, Diferentemente.

…to be continued

sábado, 21 de novembro de 2009

.22 Que é de Nelson Rodrigues?

Que magia fora esta?
Ao meu coração que propina deste?
Não gosto d'outra, ora essa?

Não, por ti só
Temo que meu amor confesse

Qual o que? Será fato?
Que é de meu domínio?
Que me faço acordado?
Pensando em ti a essa hora?
Deu-se a melodia. Isola!

Ficar a depender de ti
É padecer sem ter porvir.

Comigo, não, violão.
Que sorte mais vil!
Sossega meu coração.
Calma no Brasil.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Com a Palavra, Gleyson Kakaroto


O que deu pra salvar do vídeo, "realizado" por @El_Nau, da Mesa Redonda de 30 de outubro de 2009, no bar Candieiro, nesta cidade.
Link versão YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=YK6B3Mus3x0

domingo, 1 de novembro de 2009

Top 100 filmes de todos os tempos

A seguir, a lista dos meus 100 filmes favoritos de todos os tempos. Notem que esta não é uma lista dos 100 melhores filmes, aos quais eu poderia submeter a uma análise pura de aspectos técnicos de filmagem, roteiro, direção, atuação, etc. Esta é, sim, uma lista dos filmes mais importantes e queridos para mim, baseado simplesmente na minha opinião de merd* de cinéfilo. Está dividia em duas categorias: top 10, por ordem de preferência, e top 90, em ordem cronológica.


  1. 2001 - Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey), Stanley Kubrick, 1968
     2001
  2. O Poderoso Chefão (Godfather), Francis Ford Coppola, 1972

  3. Cantando na chuva (Singin' in the rain), Gene Kelly e Stanley Donen, 1952

  4. Matrix (The Matrix), Andy Wachowski e Lana Wachowski, 1999

  5. Os Bons Companheiros (Goodfellas), Martin Scorsese, 1999

  6. Pulp Fiction - Tempos de Violência (Pulp Fiction), Quentin Tarantino, 1994

  7. Laranja Mecânica (A Clockwork Orange), Stanley Kubrick, 1971

  8. Cães de Aluguel (Reservoir Dogs), Quentin Tarantino, 1992

  9. Grease - Nos tempos da brilhantina (Grease), Robert Kleiser, 1978

  10. Sunshine - O despertar de um século (Sunshine), István Szabó, 1999

  11. Metrópolis (Metropolis), Fritz Lang, 1927
  12. Luzes da Cidade (City Lights), Charles Chaplin, 1931
  13. Branca de Neve e os Sete Anões (Snow White and the Seven Dwarfs), William Cottrell, David Hand e outros, 1937
  14. ...E o Vento Levou (Gone with the Wind), Victor Fleming e outros, 1939
  15. O Mágico de Oz (The Wizard of Oz), Victor Fleming e outros, 1939
  16. Cidadão Kane (Citizen Kane), Orson Welles, 1941
  17. Casablanca, Michael Curtiz, 1942
  18. O Terceiro Homem (The Third Man), Carol Reed, 1949
  19. Crepúsculo dos Deuses (Sunset Blvd.), Billy Wilder, 1950
  20. Disque M Para Matar (Dial M for Murder), Alfred Hitchcock, 1954
  21. Os sete Samurais (Shichinin no samurai), Akira Kurosawa, 1954
  22. Rastros de Ódio (The Searchers), John Ford, 1956
  23. O Sétimo Selo (Det sjunde inseglet), Ingmar Bergman, 1957
  24. Psicose (1960)
  25. O Anjo Exterminador (El ángel exterminador, 1962)
  26. Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia, 1962) 
  27. Bande à part (1964, Jean-Luc Godard, FRA)
  28. Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)
  29. A Noviça Rebelde (The Sound of Music, 1965)
  30. A Primeira Noite de um Homem (The Graduate, 1967)
  31. Era Uma Vez no Oeste (C'era una volta il West, 1968)
  32. O Poderoso Chefão II (The Godfather: Part II, 1974)
  33. Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail, 1975)
  34. Um Dia de Cão (Dog Day Afternoon, 1975)
  35. Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo's Nest, 1975)
  36. Carrie, a Estranha (Carrie), Brian DePalma, 1976
  37. Taxi Driver - Motorista de Taxi (Taxi Driver, 1976)
  38. Noivo neurótico, Noiva nervosa (Annie Hall, 1977)
  39. Manhattan (1979)
  40. Os Sete Gatinhos (1980, Neville de Almeida, Brasil)
  41. Touro Indomável (Ranging Bull, 1980)
  42. O Iluminado (The Shining, 1980)
  43. Blade Runner - O Caçador de Androides (Blade Runner, 1982)
  44. Gandhi (1982)
  45. Scarface (1983)
  46. De volta para o futuro (Back to the Future, 1985)
  47. Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985)
  48. Conta Comigo (Stand by Me, 1986)
  49. Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller's Day Off, 1986)
  50. Nascido Para Matar (Full Metal Jacket, 1987)
  51. Duro de Matar (Die Hard, 1988)
  52. O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (Terminator 2: Judgment Day, 1991)
  53. Os Imperdoáveis (Unforgiven, 1992)
  54. O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas, 1993)
  55. Feitiço do Tempo (Groundhog Day, 1993)
  56. A Igualdade é Branca (Trzy kolory: Bialy, 1994)
  57. O Rei Leão (The Lion King, 1994)
  58. Forrest Gump - O Contador de Histórias (1994)
  59. Ed Wood (1994)
  60. Cassino (Casino, 1995)
  61. Os 12 Macacos (Twelve Monkeys, 1995)
  62. Coração Valente (Braveheart, 1995)
  63. Seven - Os Sete Crimes Capitais (Se7en, 1995)
  64. Trainspotting - Sem Limites (Trainspotting, 1996)
  65. Princesa Mononoke (Mononoke-hime, 1997)
  66. A outra história americana (American History X, 1998)
  67. O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan, 1998)
  68. Beleza Americana (American Beauty, 1999)
  69. Clube da Luta (Fight Club, 1999)
  70. South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes (South Park: Bigger Longer & Uncut, 1999)
  71. O Tigre E o Dragão (Wo hu cang long, 2000)
  72. Gladiador (Gladiator, 2000)
  73. Os Excêntricos Tenenbaums (The Royal Tenenbaums, 2001)
  74. E Sua Mãe Também (Y tu mamá también, 2001, México) 
  75. Cidade dos Sonhos (Mulholland Dr., 2001)
  76. A viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no kamikakushi, 2001)
  77. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, 2001)
  78. Donnie Darko (2001)
  79. Cidade de Deus (2002)
  80. O Senhor dos Anéis (trilogia), Peter Jackson, 2001-2003 (EUA/Nova Zelândia)
  81. Kill Bill: Vol. 1 e Vol. 2 (2003-2004)
  82. Peixe Grande E Suas Histórias Maravilhosas (Big Fish , 2003)
  83. Procurando Nemo (Finding Nemo, 2003)
  84. Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra (Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl, 2003)
  85. Oldboy (Oldeuboi, 2003, Chan-wook Park, 2003, Coréia do Sul)
  86. Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004)
  87. Sin City (2005)
  88. Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine, 2006, EUA)
  89. Viagem a Darjeeling (The Darjeeling Limited, 2007) 
  90. Tropa de Elite (2007, BRA)
  91. Onde os Fracos não Têm Vez (No Country for Old Men, 2007)
  92. Juno (2008, USA/Canada)
  93. WALL·E (2008, USA)
  94. REC (2008, ESP)
  95. Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009)
  96. A Origem (Inception, 2010)
  97. Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pillgrim vs. The World, 2010)
  98. A Pele que Habito (La piel que habito, 2011) 
  99. Meia-noite em Paris (Midnight in Paris, 2011)
  100. Moonrise Kingdom (2012, USA)