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quinta-feira, 14 de maio de 2009

O Futuro Menos-que-perfeito

Watchmen.11.de.12.HQ.BR.23ABR05.GibiHQ.pdf-033 Tranqüilo, tranqüilo. Calma no Brasil! Sossega leoa, sossega a “piriquitita”, como diz Regolino. Olha a afobação. Pra quê tanta pressa? Por que tanta previsão? O mundo continua aí, como a sua vida, não vão fugir. Eu estou aqui. Olha pra mim. Pára um pouco.

Opa, pare aí um pouco eu por favor, do contrário ter-se-á este post aqui de ser reescrito em verso desse jeito. Na ânsia de querer falar o que estou para falar, também eu acabei me antecipando e quase coloco a carroça à frente dos burros, como diria a geração de 60. Bem.. passado o nonsense, eis a situação:

Todos aí preocupados com o futuro, não é mesmo? (Sim, leitor, estou falando contigo). Todos pensando no fim da faculdade, no concurso que têm que estudar para, na pós-graduação mais rápida que puderem fazer, na ruma de dinheiro que quererão ganhar para casar com os respectivos pretendentes (ou não), no trabalho por vir, na vida de adulto que baterá à porta. Logo, é preciso pensar e conjecturar e prever e antever as opções, pois o que nos aguardará o futuro, não é verdade?

Sinceramente, estou cansado dos comedidos, dos preocupados com a prova de hoje a 8 dias, dos que, antes de acabar o carnaval, compram a festa de São João, dos que antecipam. Querem antecipar até tua fala, teu pensamento – “já sei o que vai dizer”, “sei o que deve estar pensando” – ora, se já sabe, então não percamos tempo dialogando, faça você um monólogo com a tua e a minha parte e eu quedo aqui te escutando. Vejo as pessoas pensando tão a frente de mim, tão preocupadas, tão sem tempo para ficar e conversar, que às vezes penso se não estaria eu sendo imprudente em não lembrar do que acontecerá no dia depois de depois de amanhã.

Talvez seja realmente imprudência minha, talvez este texto de hoje seja um reflexo do meu caráter procrastinador (o que sou assumidamente), mas fato: enfastiam-me aqueles que fazem tantos planos a longo prazo, afinal, o que há de tão especial assim nesse futuro? Por que o futuro contém tanta felicidade? Não poderíamos, por acaso, sermos felizes agora? Projetam-se tanto deles mesmos no futuro que parece que o presente é um eterno processo de feitos, feitos que devem ser comedidos e precisamente calculados para alcançarem um propósito maior, que está sempre à frente, um porvir (ou devir, ê lelê Nietzsche) que garantirá a tal felicidade vindoura.

Não parece-lhes certo que talvez a felicidade possa estar garantida no momento, naquele específico momento que você ria com um amigo, que você beijava (ou pecava com) sua namorada(o), que eu e você brindávamos à mesa de um bar. Confio no que tenho, não no que terei ou no que me aguarda, até por que o tempo pode transformar tudo que tenho em nada, como numa ilusão. De modo que, caso um dia decidirem parar um pouco a rotina de seus importantes afazeres de planejamento futurístico, liguem para mim e paguem-me um cowboy [risos.. brincadeirinha], sério: apenas façam alguma coisa de agradável, alguma coisa que há muito os prazos impediam que o fizesse. Sei lá, isto aqui não é auto-ajuda: Reproduzam a espécie, meus filhos! Desfrute seu presente.

Agora, por favor, não pensem que isto aqui é filosofia nova, saibam que é século XXI e tudo já foi, de algum modo, pensado. É 2009, e como repensei este assunto, reproduzo-o aqui com as minhas palavras e minha humilde opinião sobre o caso. Então, ladies and gentlemen, com vocês, meu preceptor que dispensa apresentações, Arthur Schopenhauer:

“Planos e preocupações com o futuro, ou também a saudade do passado, ocupam-nos de modo tão contí­nuo e duradouro, que o presente quase sempre perde a sua importância e é negligenciado; no entanto, somente o presente é seguro, enquanto o futuro e mesmo o passado quase sempre são diferentes daquilo que pensamos. Sendo assim, iludimo-nos uma vida inteira”.

Desejo aditar ainda que desencorajo percepções carpe diem da visão que expus, pelo menos não como o da acepção da escola árcade do final do século XVIII, pois quem vive em demasia no presente são os levianos/ inconseqüentes/ irresponsáveis/ como queiram. Só o que eu peço aqui é um pouco de imprudência, até um pouco da saudável loucura momentânea, ou mesmo a simples "colheita do dia" de Horácio, uma inocente idéia como esta: “Gleyson, vamos beber hoje até lamber o asfalto?” Eu diria: “Por favor, caro amigo, por favor”.


P.S.: Pra terminar, saca só a maluquice (ou genialidade, se preferirem): “A maior sabedoria é ter o presente como objeto maior da vida, pois ele é a única realidade, tudo o mais é imaginação. Mas poderíamos também considerar isso nossa maior maluquice, pois aquilo que existe só por um instante e some como sonho não merece um esforço sério.” (SCHOPENHAUER, Arthur. O Mundo como Vontade e Representação).

quinta-feira, 19 de março de 2009

O que será?

scummy_by_gloria_aniela
Sabe quando, na madrugada (ou numa hora de introversão qualquer), dá aquela vontade de comer algo? Mas não qualquer algo, algo mais, algo melhor do que o que tivemos no café, almoço, lanche ou jantar. Algo que não sabemos bem o que é, só sabemos o que não é.

Pois bem: Começou há mais ou menos três semanas (provavelmente quando iniciaram-se as aulas) esta sensação esdrúxulamente fastidiosa, e não é apenas algo momentâneo, nem relacionado a comida. É sobre um algo maior, uma coisa mais intensa, que me deixa inquieto, que me faz twittar como um obssessivo-compulsivo, que me faz cantar mais alto trechos de músicas escrotas para chamar maior número de atenções.

Sinto que a minha vida, afinal, não tem tanto a oferecer, pelo menos não do jeito que eu a levo hoje. Logo eu, que sempre fui um entusiasta da vida, que a levava como em uma apoteose dedicada a ela e a mim mesmo (ai, quão classudo é meu ego!). Acordo, checo minha agenda, faço a lista das tarefas mais importantes que não deveriam deixar de ser feitas e, quando menos percebo, estou encravado por mais um dia na rotina. E quando, à noite, o professor não vem, enquanto espero pela aula seguinte, penso… O que há mais para se viver? O que estou perdendo? Como este dia poderia ter sido diferente?

Sei, muito provavelmente estou apenas divagando sobre situações hipotéticas de vidas alternativas que não vão dizer nada a ninguém, sobretudo a mim. E ainda dirão: “Mas afinal de contas, o que você queria? Ser o Batman, um espião da CIA?”

Não, não isso. Só sei o que não quero. Só sei o que não sou (baseado no que já experimentei e que já vi). Para esse ponto parafraseio a resposta de uma guria de 8 anos chamada Marina, prima do Jurandir Filho, que no RapaduraCast 82, perguntada pelo Juras se O Rei Leão era o melhor filme do mundo, disse: “Eu não assisti [a] todos”. A Marina, aos 8 anos de ingênua-idade, não tinha assistido à todos os filmes do mundo para saber se O Rei Leão era o melhor. Eu, aos dois patos na lagoa, já vi muitos filmes, vivi o considerado suficiente para resolver o que se vai fazer da vida e amei “por volta” de três mulheres [sic: meninas].. ainda assim, não consigo responder à pergunta que me inquieta.

Enfim, indo assistir às esparsas aulas do viii semestre – como twittei, cada vez menos interessantes – perdido em meio aos numerosos processos do estágio, procrastinando o projeto da iniciação científica, que parece nunca deixar de ser “iniciação”, e bebendo cerveja após cerveja nos fins de semana, eu vou.. sempre alegre e tranqüilo. Mas se caso um dia eu parecer alegre e tranqüilo demais, não se engane, meu coração está em chamas (e está à procura do que sabe-se o que não é, este algo não-comestível infernal).

Ê lelê.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Indignàre

Meu ser indignado causa assombro e surpreende muita gente. Choldra Ignóbil! A falta de indignação nas pessoas é o que deveria causar espanto.

MrBlond2 (2)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Desconstrução

Quero dizer que na vida há desenganos, desencontros, desilusões, muitos des-. Mas nenhum sobreleva-se à descoberta do ser, do seu quero dizer nosso ser, do seu modo de viver, do que você realmente quer, do que lhe agrada agora, seus sonhos pro futuro e o passado que você escolhe para aprimorar sua ocasião. Todos os -des, desamores, desaforos, desatinos, desprezos, são deslumbres de vertigem momentânea necessários na vida para o desenvolvimento do ser. O que seria de mim sem as desgraças, os desvarios, os desagradáveis desdéns? Ora, o destino pode não existir (não do modo como eu entendo), mas ele é muito bem elaborado. Há os descaminhos por um motivo, são precisos desarmamentos do ser que o conduzem a um desvio de conduta sempre (ou quase) evoluído em relação ao seu ethos anterior. Eu, se assim ousasse, poderia até dizer, são os -des que constroem o ethos, mas não de modo a distanciá-lo do nosso próprio ser original, se é que existe algo como o ser original, talvez sejamos sempre o nosso sujeito contemporâneo, talvez sejamos o que fazemos de nós mesmos, em síntese, o que quisermos ser.. daí o poder da vontade, do desejo e dos sonhos.. mas nada dessa conversa filosófica sobre ethos importa; e o que importa? [Os peitinhos da Engraçadinha?] Também, mas o que queria dizer era, se inda lembro: Importa que as desarmonias, os descalabros, as deslealdades, o desfortúnio e mesmo o que você porventura chamar de desvida não são mais que desembaraços da própria sabedoria da vida com fim ao encontro de você consigo mesmo, momento quando, acho eu, não haverá mais construção do ethos, só um sujeito descarado e, como muitos velhinhos que agora sabem quem são de verdade, desconstituidamente desavergonhado. Aiaiaiuiui.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

pensamento

imagem corpo sonho censura cinema bezerra Glauber Espanha adelante Marcelo 'mais tarde' pode ser eterno 'saudade' moça doce roupa corpo comida carne amigo Jorge deus uesb projeto prova marta colóquio dinheiro prazo Valéria alimentos tremedal merda não Salvador choro verdade fumaça mentira só paciência eternidade demais demias perigo egoísmo raiva poesia amor violão vida dura vou indo enfim além ainda mãe cabeça dor ventrículo maldade cama incenso esquecimento sono som camelo sono .. olhos arte vibrafone arrepio anjo quarto lânguidez amassado 'with starngers' bueno bueno hola que tal me voy ..

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Dezoito

Ontem [sábado], no ponto de ônibus da praça Estévão Santos (a do fórum): duas senhoras/velhinhas conversando casualmente – a conversa mais casual do mundo – uma dizia “é que eu fiquei sem saber se ia fazer tempo bom ou não.. tralalá” “acabou que deu nesse mal tempo avexado.. tralalá” “é, agora só vai dar esse tempo ruim.. tralalá”.


E eu, .. soltei um sorriso externamente gentil e internamente entusiasmado para as duas, pelo qual fui retribuído com outros dois sorrisos, um tímido e outro do tipo “não é mesmo?”.

E se tivesse realmente havido pergunta, eu teria dito “Com certeza!”. Como ousar discordar das honestíssimas senis que me acompanhavam naquela infindável espera pelo busão?

“No entretanto”,

Enfim, veio o frio, a melhor época é agora, é chegada a hora do tempo bom .. meu tempo bom .. céu cinzento, ruas molhadas, limpadores de pára-brisa ligados, gramas mais verdes, topo das casas invisíveis, janelas embaçadas, menininhas de cachecol e luvinhas, renovação do estoque de gorros.

O meu querido inverno é a estação mais confortável do ano, é quando a regra da calça dentro de casa se chama moletom e as havaianas sempre pedem meias de companhia .. o aconchego do lar fica mais aconchegante .. esconder-se debaixo do edredom é o programa mais legal .. assistimos filmes tomando chocolate quente (e se vamos ao cinema enfrentar o ar condicionado das salas do Moviecom, grudamos no braços dos amigos para roubar seu calor), enfim..

Ora essa: como vou chamar de mal tempo o solstício que traz isso de querermos nos agarrar às pessoas, esse aumento do desejo do contato com a pele alheia, essa coisa de me-esquenta-que-eu-te-esquento?

Se agora não precisamos mais temer enfiar-nos num terno de poliéster para viver sob os trópicos e se agora posso tomar um banho sem suar depois de passados 10 minutos e se agora o bom vento frio não te deixa sair mais com a sua velha camisa regata .. ah .. bem-vindo – e não ruim – é esse tempo! E ainda tá no comecinho, therefore aproveitemos! .. que rapidinho ele acaba.

Bom tempo pra todos!

domingo, 18 de maio de 2008

Revelação da semana: Não posso ser eu mesmo o tempo todo

Exceção: quando com os amigos. Amigos são aquelas pessoas em cujo convívio nós não precisamos esconder-nos atrás de nossas máscaras habituais; são aqueles que estão presentes quando se é permitido agir naturalmente sem temer graves represálias ou preconceitos; um lugar de amigos é onde nós podemos ser verdadeiros e mostrar o nosso eu autêntico sem preocupar-se com uma má representação do nosso valor no pensamento alheio. É quando podemos tirar, enfim, o casaco¹ da falsidade.

Enfim..

¡Gracias, los míos!



PS: Queria viver num mundo sem máscaras; mas fazer o que, né? Vou satisfazendo-me com o mundo da amizade.
_______________________
¹ “Tirai os vossos casacos ou sede o que pareceis!” (Nietzsche em Segunda consideração intempestiva, fazendo referência a Cervantes)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Apuração

São basicamente dois os sintomas de momentos “apurosos” em minha vida: um é quando sinto vontade de reler Werther e outro é quando este blog passa tempo considerável sem um post. No caso de algum desses, podem saber, me encontro em apuro.

Para o caso de alguém presumir algum animus jocandi meu, previno que aprendi desde cedo com o samba a omitir as minhas rugas (mas, como percebem, sempre dá-se reforma aos conceitos).

PS: Ando num tédio enorme da vida. Por favor, não me acordem em caso de incêndio.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Você já olhou seu Orkut hoje?

Por que essa necessidade que temos de se mostrar? Talvez uma tal auto-afirmação, como disse Antônio.. Delano {no vídeo do KPL}? Por que queremos nos mostrar para os outros? A verdade é que estamos sempre querendo chamar a atenção alheia. As crianças, em especial, são assim. Elas praticamente vivem disso. E esperneiam, gritam, estribucham no chão apenas com vistas a esse fim. E nós, "adultos".. crianças crescidas, para melhor dizer, o que fazemos? Fazemos Orkut, entramos no MSN todos os dias, como algo sagrado, nossa nova oração diária. Atualizamos nossa mensagem pessoal de acordo com nosso estado de espírito, inventamos nicks escalafodéticos para nos descrever e dispomos de centenas de avatares, para, sempre que possível, mudá-los de acordo o interlocutor.

Já disseram: Tu és o que tu pões no "quem sou eu" de teu perfil (Ou será que a frase era 'lá está o que tu queres mostrar que és?' Bem.. não me lembro agora..). Mas se esse for o caso – qualquer um dos – eu sou a inconstância em pessoa, pois aquela poha tá mudando quase que semanalmente.

O costume do mexerico é o mais antigo do planeta, o encontramos praticamente em todas as civilizações passadas e existentes. Gostamos de saber da vida alheia, afinal, what´s Orkut about after all?, contudo, gostamos muito mais que os outros fiquem sabendo da nossa (não tudo, evidente). É por isso que lhes dispomos as mais recentes fotos em nossos álbuns, para isso que temos comunidades como "Namorada dorminhoca" ou "Compre um gato e seja feliz"¹, por isso cuidamos de flogs e blogs, uma vida dentro da tela. E se tu fores um meio quase megalomaníaco como eu, tu inventas até um Kakaroto´s Public Life, o projeto mais infame já concebido.

Estamos mais sozinhos e mais juntos ao mesmo tempo. Só, no meu quarto, às duas horas da manhã, eu tenho a companhia de inda quatro contatos.. duas janelas abertas. Bate três horas, uma janela aberta e só dois contatos on. Quatro da matina.. noone on. Vejo-me agora completamente só. Desespero. Tenho medo de ficar sozinho. Vou rapidamente ao filho primogênito de deus pai Google.. sem recados. Daí, fico vendo as novas atualizações de meus "amigos". No donut for you. Cai a veloche. Sem net. O que fazer? Ficamos só eu e Tom Zé com sua Augusta, Angélica e Consolação no MerdiaPlayer. Pergunto-me se irei conseguir dormir tão cedo. Qualquer coisa recorro ao meu velho Homero de bolso – que nunca hei de terminar. Do lado da minha, a outra cama está vazia, deve já fazer uns seis meses que meu irmão não dorme mais comigo. É.. nesses momentos bate aquela velha solidão. Mas logo acaba. A duas páginas e meia de Ilíada é batata.. chega o sono e com ele mais gente pra gente interagir.

Ó canto das Ondinas.. se pudesse, construía uma casa grande e botava todos meus amigos pra morarem comigo. Ê lelê.

P.N.P.O.C.P.S.P.P.R.F.P:Mesa Redonda_______________________
¹ O gato tem sete vidas, assim tu vais cuidar das vidas dele, e deixa a minha em paz.