Só foi no final de quando estava fazendo esta lista que reparei a agradável peculiariedade de todos os álbuns serem de artistas brasileiros (sobretudo brasileiras).. surpreso, achei que havia esquecido completamente de incluir os gringos; mas depois de consultar o last.fm, comprovei que dos trabalhos daquele ano realmente os nacionais preponderam nas coisas que escutei. Muito porque recentemente, no campo internacional, fiquei restrito à revisão de coisas mais antigas, como Koola Lobitos (primeira banda do Fela Kuti), Anita O´Day e o sensacional Raising Sand de Robert Plant & Alison Krauss, eis porque eu talvez tenha negligenciado – confesso – lançamentos teoricamente relevantes (a mim, digo) de 2010, principalmente o falado The Suburbs de Arcade Fire e The Drums de The Drums. Enfim, desculpas à parte, o importante é que a MPB nova geração está dominando, finalmente, o mercado fonográfico (ou não) (eu acho), digamos só então que está ganhando cada vez mais seu merecido espaço (o meu, pelo menos), o que fica claro no Top 2011 por vir. Sem mais enrolação, a lista dos 10 melhores álbuns de 2010 que ouvi: 10
Escucha: #6 - 1:54
#5 - É só uma impressão, meu bem
#10 - Por certa vez
[Adendo: recomendação de Laís Vinhas] #11 - A gente ainda pode ir pro bar (música que como ela mesmo disse "é uma das que mais gosto de ouvir no carro.. hihihi")
Já há algum tempo eu havia notado, nos CDs que “possuo”, que vários deles têm uma lullaby, ou canção de ninar, e, curiosamente, as lullabies desses álbuns estão sempre na última faixa do disco. Tomado pelo desejo de fazer uma lista disso, segue, então, alguns dos exemplos que aprecio mais. Caso alguém tenha/lembre de outros, por favor, passe-me nos comentários.
Ontem fui pego desprevenido.. enquanto procurava onde estavam as últimas partes de seus vídeos filmados em Montreal, fiquei sabendo da mais triste das notícias.. morreu, no começo deste ano, uma de minhas mais tenras paixões: Lhasa de Sela. Senti que tinha de homenageá-la de alguma forma aqui (ou mesmo somente dela lembrar, como faço agora), mas pensar em qualquer coisa para escrever mostrou-se pretensão além do meu alento, eis que passo agora apenas a traduzir o último press release oficial sobre aquela que alcunhei de Florbela Espanca da música:
Official press release
Para imediata publicação
Em Montreal, Canadá: Domingo, 3 de Janeiro de 2010
A cantora Lhasa de Sela faleceu em sua casa em Montreal na noite de primeiro de Janeiro de 2010, logo antes da meia-noite.
Ela sucumbiu a um câncer no seio depois de uma longa luta de vinte e um meses, a qual enfrentou com coragem e determinação.
Através deste difícil período, ela continuou a tocar as vidas daqueles ao redor dela com sua graça característica, beleza e humor. A sua força de vontade levou-a novamente para o estúdio de gravação, onde concluiu seu mais recente álbum, seguido pelo sucesso da gravação de seus principais lançamentos em Montreal, no Théatre Corona e em Paris, no Théâtre des Bouffes du Nord. Dois shows na Islândia em maio acabaram sendo seus últimos.
Ela foi forçada a cancelar uma longa turnê internacional agendada para o Outono de 2009. Um futuro álbum projetado com as canções de Victor Jara e Violeta Parra também foram descontinuados.
Lhasa de Sela nasceu em 27 de setembro de 1972, em Big Indian, Nova York.
A infância incomum de Lhasa foi marcada por longos períodos de vagueação nômade pelo México e pelos EUA, com seus pais e irmãs no ônibus escolar que faziam de casa. Durante este período, as crianças improvisavam, teatralmente e musicalmente, representando para seus pais todas as noites. Lhasa cresceu em um mundo impregnado com a descoberta artística, longe da cultura convencional.
Mais tarde Lhasa tornou-se a artista excepcional que o mundo inteiro descobriu em 1997 com La Llorona, seguido por The Living Road de 2003, e o auto-intitulado Lhasa de 2009. Estes três álbuns venderam mais de um milhão de cópias pelo mundo.
É difícil descrever a sua voz única e presença de palco, o que lhe rendeu status de ícone em muitos países ao redor do mundo, mas alguns jornalistas têm-na descrito como apaixonada/passional, sensual, indomável, terna, profunda, perturbadora, encantadora, hipnótica, silenciosa, poderosa , intensa, uma voz para todo o tempo.
Lhasa tinha uma forma única/singular de comunicação com seu público. Ela se atreveu a abrir seu coração no palco, permitindo que seu público experienciasse uma íntima conexão e comunhão com ela. Ela afetou profundamente e inspirou muitas pessoas pelas cidades e países que visitou.
Um velho amigo de Lhasa, Jules Beckman, ofereceu estas palavras:
"Nós sempre ouvimos algo ancestral vindo através dela. Ela sempre falou a partir do limiar entre os mundos, como se fora de seu tempo. Ela sempre cantou a tragédia humana e o triunfo, alienação e procura com uma sabedoria testemunhal. Ela colocou sua vida aos pés do Invisível ".
Lhasa deixa para trás seu companheiro Ryan, seus pais Alejandro e Alexandra, a madrasta Marybeth, seus 9 irmãos e irmãs (Gabriela, Samantha, Ayin, Sky, Miriam, Alex, Ben, Mischa e Éden), seus 16 sobrinhos e sobrinhas, seu gato Isaan, e inúmeros amigos, músicos e colegas que acompanharam-na ao longo de sua carreira, para não mencionar seus inúmeros admiradores em todo o mundo.
Sua família e amigos íntimos foram capazes de chorar em paz durante os últimos dois dias, e muito têm apreciado este período significativo de tranquila intimidade. Funeral e demais serviços serão cuidados particularmente.
Tem nevado por mais de 40 horas em Montreal desde a partida de Lhasa.
Num domingo xôxo, uma ótima surpresa: Como twittado pelo @trabalhosujo, vazou o disco novo do Devendra Banhart! Depois de uma geinkidama realizada com a força da conexão daqueles meus seguidores caridosos que sempre me ajudam levantando os braços, consegui baixar e alegrar meu dia – por acaso, não alcoólico – ouvindo o What will we be, cujo lançamento está marcado para amanhã, 27 de outubro, pela Warner e com selo da Reprise Records (não mais da XL Recordings).
O álbum foi produzido pelo Devendra e por Paul Butler, líder da banda inglesa The Bees, e conta novamente com as participações do bom e velho Noah Georgeson (produtor dos últimos álbuns de Banhart e louco), Greg Rogove, Luckey Remington e “nosso” querido Rodrigo Amarante (que, ao que parece, dessa vez não canta, mas assume a guitarra principal em quase todas as faixas do disco), todos remanescentes do Smokey Rolls Down Thunder Canyon.
À primeira ouvida, o álbum parece, de modo geral, ser um tanto quanto parado e apático, gerando uma certa indolência para quem escuta, o que para mim certamente foi bom, pois me proporcionou exercitar melhor as viagens que as músicas parecem propor, notáveis nas serenas First e Last Song for B. Conquanto, faixas mais estimulantes destacam-se facilmente no disco, como a ótima 16th & Valencia Roxy Music, com guitarras distorcidas e batida definitivamente dançante, e a última faixa Foolin’, que poderia muito bem ser confundida com um reggeazinho divertido do Toots and The Maytals se não fosse pela voz inconfundível do Devendra.
Há ainda no disco, a versão de estúdio das músicas Baby (agradabilíssima) e Chin Chin & Muck Muck (um freak folk excêntrico bem legal), mostradas há alguns meses atrás pelo youtube em versão ao vivo.
Ainda, quão Mutantes é a faixa Maria Lionza!? Quase que, num sobressalto, escuto a voz de Rita Lee ali àquele meio psicodélico. (E por isso, só tenho a agradecer..)
Sem mais conversa, concluo: um ótimo álbum! E não só, mas um ótimo álbum que, praticamente, salvou meu domingo. Enfim: para ser ouvido várias vezes. Fica a recomendação. Obs.: Não postarei link para download (porque não posso), portanto procurem por si mesmos – dica: há um easteregg neste post.
Amarante c/ Devendra
Tracklist: 01 Can’t Help but Smiling 02 Angelika 03 Baby 04 Goin’ Back 05 First Song for B 06 Last Song for B 07 Chin Chin & Muck Muck 08 16th & Valencia, Roxy Music 09 Rats 10 Maria Lionza 11 Brindo 12 Meet Me at Lookout Point 13 Walilamdzi 14 Foolin’