Vídeos gravados em Andaraí e Lençóis - Chapada Diamantina - BA, de 10 a 17 de fevereiro de 2007. © Todos os direitos reservados.
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Blog de Gleyson Lima Santos (Kakaroto) criado em 2004. Recém-ressuscitado.
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Ontem minha prima me mandou um email, que já havia sido encaminhado e reencaminhado para centenas de pessoas, com o assunto em capital letters “GRIPE SUINA UM TOQUE”, pelo qual era enviado um registro de conversa de msn, onde acima se explicava “Conversa de uma conhecida com um colega que trabalha na Unimed. Vale o toque.” Segue abaixo, pois, a tal conversa:
“eco ® diz: to em panico com esse negcio da gripe. hoje tivemos reunioes com uns medicos da Unimed, os caras falaram que a situação é desesperadora
Lilis diz: ahããã, amigas minhas falaram...
deco ® diz: que os hospitais e as operadoras de saude, tao recebendo oficios do governo pra nao divulgar dados
deco ® diz: morreram 12 medicos em curitiba já, 3 deles cooperados da Unimed
deco ® diz: o HC teve 115 mortes já, mas só pode divulgar que teve 28
Lilis diz: ai q horroooooor
deco ® diz: eles não sabem o que fazer a partir do quinto dia da doença se nao curar até lá
deco ® diz: tão colocando as pessoas em coma induzido pra amenizar o sofrimento
Lilis diz: uiiiiii, chega, não quero mais saber...medo até de sair de casa
deco ® diz: eles falaram que as autoridades não tão divulgando pra nao deixar a população em panico
deco ® diz: mas que na verdade eles tão completamente perdidos
deco ® diz: o jantar que a gente tinah amanha era la no Le Rechaud, no fondue
deco ® diz: um dos casais que tavam indo , o cara é medico. é o Dr. Marclo Tizzot que foi o cara que diagnosticou o primeiro caso da gripe em Ctba.
deco ® diz: ele que falou pra gente desmarcar
deco ® diz: porque nao vale a pena o risco
Lilis diz: aff maria
deco ® diz: aham
deco ® diz: ele falou pra gente pedir uma pizza e ir pra casa dele
deco ® diz: ele falou pra nao fazer nada que seja arriscado
deco ® diz: nao ir no shopping, nao ir em bar, boate, não ir nas nights, em restaurantes então pior ainda, pior ainda nos que são por Kilo
deco ® diz: porque todo mundo usa os mesmos pegadores
Lilis diz: putz, acho q nem vou ao mercado hj então
deco ® diz: esta PUNK ao maximo a situação
deco ® diz: os caras tão desesperados
deco ® diz: tem uma amiga minha que é medica no HC, disse que la ta o caos, ela ta com 6 amigos internados com a gripe, todos medicos
Lilis diz: eles falaram se tem solução???
Lilis diz: ou é só esperar?
deco ® diz: nao tem solução. a solução é só se diagnistitcar ela ante do virus chegar no pulmao, senao é muito dificil
Lilis diz: mas e vai ser assim até o resto do ano???
deco ® diz: é por isso que eles tão em panico ninguem sabe
deco ® diz: a Unimed disse que tem um documento na mao que parece que segunda feira em Curitiba, vai ser decretado estado de calamidade publica e vão mandar parar a cidade
deco ® diz: ninguem pode sair de casa
deco ® diz: vamos esperar
deco ® diz: essa minha amiga, disse que o virus tá em Nivel 1 ainda, e que ele deve ir ate o nivel 4
Lilis diz: mas tá...e a solução q eles falaram é ficar em casa pra não propagar o vírus, e assim o vírus some?
deco ® diz: sim
deco ® diz: porque dai para de disseminar
deco ® diz: e eles matam todos os focos
deco ® diz: foi o que o Mexico fez
deco ® diz: parou o país e eles acabaram com tudo
deco ® diz: ou, nos tamos tudo exigindo mascaras nas pessoas que tão vindo fazer atendimento aqui no escirtorio
Lilis diz: ai meu deus
Lilis diz: valeu pelo toque Deco!!! é horrível saber da verdade, mas é bom pra se previnir
deco ® diz: pois é.
deco ® diz: até ontem, eu tava cagando e andando pra tudo isso
deco ® diz: mas quando os medicos me falaram fiquei que nem vc assim, em choque
Lilis diz: posso copiar essa nossa conveersa e mandar pra algumas pessoas?
deco ® diz: pode ? deve
deco ® diz: deve deve deve
Dra Lívia Aguiar
Fisioterapeuta especialista em Acupuntura”
Bem, este email está sendo repassado como uma corrente do pânico, e como, tendo partido provavelmente do sul/sudeste do país, já tenha vindo parar em minha caixa de entrada na Bahia, imagino que uma quantidade significativa de pessoas o tenham recebido e a maioria delas, imagino, resolvido trancafiar-sem em suas casas, usando luvas e máscaras (trocando-as de 2 em 2 horas). Gente, sejamos um pouco razoáveis quanto a isso tudo que não vejo acontecendo, mas vejo dizendo.
Fiquei realmente impactado ao saber que até mesmo membros do meu grupo de estudo estão pensando em abandonar nossa viagem, tão penosamente programada, para o Colóquio Internacional de Análise do Discurso (praticamente o evento mais importante da nossa área), apenas porque este terá lugar em São Carlos – SP. Enquanto isso, o Festival de Inverno Bahia tenta apressadamente lançar novas promoções para baratear o ingresso – chegando a esdruxulez de ceder 20% de desconto para quem provar ser funcionário público, mais uma espécie de bônus ou nova gratificação para aqueles que mamam em nossos impostos – visto que, conforme ouço dizer, o povo está com medo e está repensando se dará as caras esse ano no Festival. Afinal, até que ponto é necessário nos assustarmos e fazermos assustar ante toda polêmica e sensacionalismo que está sendo feito sobre o caso, tanto nos meios midiáticos quanto nos bastidores (como é o caso da veiculação por email da conversa de Msn acima)?
Se o dito pânico que percebo que começa a se instaurar é legítimo ou não, eu não sei dizer, mas meramente à título de lembrança, gostaria aqui de expor alguns fatos históricos: em 1976 no antigo Zaire (atual República Democrática do Congo) foi identificado pela primeira vez a febre hemorrágica ebola (FHE), causada pelo vírus ebola, que causou a epidemia que rapidamente se espalhou com 50 a 90% de mortalidade na República Democrática do Congo, Gabão, Uganda e Sudão, ocorrendo a segunda epidemia em 1979, quando 90% de suas vítimas africanas morreram. Começou-se então a dizer que o ebola mataria metade da África e que se o vírus por acaso chegasse às portas da Europa seria um desastre “mundial”, o que acarretou na tomada de medidas drásticas contra a emigração africana e importação de qualquer coisa que de lá viesse. Passou-se então algum mais de uma década, e em maio de 1995, a cidade de Mesengo, no Zaire, foi atingida pelo vírus, que matou mais de cem pessoas. Bastou para que o alerta de pânico fosse novamente aceso e as manchetes eram de que agora o ebola vinha com tudo.. mas ele não veio e a África continua lá inteirinha (ou assim pode-se dizer).
Ainda, estão lembrados da Influenza A (H5N1)? Ou, como costumávamos chamar, a gripe aviária? Embora tenha sido identificada pela primeira vez por volta de 1900 na Itália, a gripe do frango causou um surto realmente preocupante no ano de 2005, quando atingiu uma taxa de letalidade de 51,28%. Se ainda me lembro das manchetes e dos títulos dos trabalhos lançados à época, eram praticamente todos semelhantes ao "À espera da pandemia", publicado pela Scientific American Brasil, em Dezembro de 2005, por W. Waut Gibbs e Christine Soares, página 64.
Ora, claro que o simples fato de dois dos maiores surtos epidêmicos dos últimos tempos não terem, felizmente, correspondido ao prognóstico catastrófico a que foram submetidos não nos autoriza, de forma alguma, a concluir que este de agora não se converterá em real pandemia. Mas, daí a promulgar o pânico frente a números que embora pareçam alarmantes, especialmente dado a como são constantemente divulgados de forma enfática pela imprensa, não são sequer comparáveis com os números de casos de morte pela gripe comum e que são menores, segundo @felipevca, ao número de mortos pela dengue em Jequié – BA!, eu já considero algo um tanto quanto imprudente, pra não dizer insensato.
Enfim, eu não tenha como afirmar se a suposta conversa entre a fisioterapeuta e o seu colega da Unimed no msn aconteceu ou não de verdade, e se, nesse caso, tem realmente fundamento o teor da dita conversa, o que posso dizer é que não deixem, claro, de tomar os devidos cuidados, não se auto-medicando, se informando quanto às diferenças dos sintomas entre as gripes e procurando atendimento médico o quanto antes se você for azarado o suficiente para contrair o vírus porcino. Contudo, deixo aí meu apelo para que não se deixem levar pelo sentimento do medo e pelo sensacionalismo muitas vezes empregado por jornalistas que vêm nos números sangrentos a oportunidade do faz-me-rir fácil, e não acreditem em tudo que lêem ou que simplesmente caem no seu email.
*
Se quiser saber ainda mais, leia o ótimo post, retuitado pelo @El_Nau, sobre a "segunda onda" da Gripe Suína, do Gabriel Cunha (biólogo formado pela UNESP/RC e doutorando em Biologia Molecular pela UNIFESP).
Para conhecer a melhor postagem sobre a gripe, ao meu ver(ouvir), até hoje, ouça a gengibrada sensacional da carolinatc em 14/08/09: Gripe Suína.
E para mais informações sobre a gripe, inclusive como identificar os sintomas, acesse o Portal do Ministério da Saúde, com atualizações constantes sobre o panorama da epidemia no Brasil.
Quando assisti ao trailer de “Surrogates”, ficção científica estrelada por Bruce Willis, e passei a conhecer a história da graphic novel homônima de Robert Venditti, na qual o filme é baseado, fiquei maravilhado com a idéia futurística da HQ: no ano de 2054, os humanos podem conectar a mente a um robô humanóide (surrugate), o qual vivenciará o mundo exterior enquanto os humanos permanecem intactos em suas casas, nas palavras do fabricante, “você pode viver sua vida sem limitações, e tornar-se quem você quiser ser, do conforto e segurança da sua própria casa, você pode finalmente viver a vida que sempre sonhou, sem nenhum risco ou perigo para você mesmo”. Evidentemente, descobre-se que viver através dos humanóides não é tão seguro assim, eis que, à medida que assassinatos vão acontecendo, Bruce Willis, um policial old-school, terá o papel de desvendar o mistério por trás dos tais surrogates [Eu, robot?].
Das várias referências possíveis de visualizar, desde Blade Runneer, Matrix a Second Life, o filme mostra-se bem interessante e com mais uma fuçada na net, dá pra perceber que as pessoas (ou ao menos os fãs de Sci-Fi) estão realmente empolgadas com o lançamento do longa, eu também fiquei, mas devo admitir que minhas expectativas foram significativamente diminuídas quando soube que a direção está a cargo de Jonathan Mostow, o responsável pelo abominável “Exterminador do Futuro 3”, e o roteiro por Michael Ferris e John Brancato, cuja “melhor” obra foi “Mulher-gato”. Ainda, convenhamos que o enredo do policial sozinho contra as máquinas salvando a humanidade já está meio batido, e a lembrança que surge na mente de “The Happening” (promessa phoda do Shyamalan que resultou num fiasco) ao ver-se a última cena mostrada no trailer não nos leva a um prognóstico tão positivo.
Será Surrogates mais um filme com ótima idéia que não dará certo? Só podemos esperar para que eu esteja errado.
Enfim, assistam ao trailer e resolvam por si mesmos: (O filme estréia no Brasil em 16 de outubro)
Falemos hoje sobre Direito Autoral. Sinceramente, não entendo o porquê da grande polêmica e discussão em torno da Propriedade Intelectual e do chamado Direito do Autor. Pois além de existir (“brasileiramente” falando) uma mega legislação abrangente sobre o tema — Constituição, DUDH, Convenções internacionais, Convenção Universal sobre o Direito de Autor, Acordos Comerciais, Leis especiais, Título próprio no Código Penal, etc — o texto da lei é claro e a norma, bem delimitada (pelo menos ao que me pareceu ante uma saudável consulta ao Pai e ao Ordenamento Jurídico).
Primeiro, devo explicar como surgiu meu interesse em falar sobre o tema: Convocado a postar no blog Grudiocorpo alguns e-books, ou livros virtuais, ou livros em pdf, sobre Análise do Discurso, questionei-me “E podemos?”, “E se apenas publicarmos o link apontando para o pdf armazenado em outro servidor?”. Ainda, a prisão temporária dos donos e a venda do PirateBay, a discussão no Omeletv, Nerdcast, Rapaduracast (e provavelmente outros casts) sobre a legalidade das legendas piratas, o súbito fechamento e feliz ressuscitamento do Legendas.tv, a morte da comunidade orkutiana Discografias, enfim, a discussão não é recente, e estando agora um pouco mais amadurecida nas mídias de comunicação em geral, vamos à ela.
Desmistificando logo de cara (ou apenas dando minha humilde opinião sobre) a controvérsia [ia usar a palavra “altercação”, mas achei que iria pegar mal..] sobre o assunto, começo explanando que tratarei aqui somente sobre direito patrimonial, visto que o Direito Autoral se divide em direito moral e patrimonial sobre a obra intelectual produzida pelo autor, que formam, assim, a sua propriedade intelectual. Então, tendo em vista que o direito patrimonial do autor, conforme art. 28 e 29 da Lei 9.610/98, dá a este “direito exclusivo de utilizar, fruir e dispor da obra literária, artística ou científica; dependendo de sua autorização prévia e expressa a utilização da obra, por quaisquer modalidades, tais como:” (e a lei dá lá seus exemplos) e ante a tipificação do crime de Violação de direito autoral, previsto no art. 184, caput e parágrafos seguintes, do Código Penal, segundo o qual, “violar direitos de autor e os que lhe são conexos” submete o sujeito à detenção (processado mediante queixa) e o mesmo crime praticado, resumidamente, com o intuito de lucro direito ou indireto sujeita-o à reclusão (mediante ação penal pública incondicionada), respondo os seguintes questionamentos já anteriormente esboçados:
Mas vejam bem: não vão pensar em mim como o Gleyson legalista que está sempre a favor da lei e fim de papo, apenas exponho as coisas como elas são. Agora: é justo que tudo seja tido como pirataria? É inteligente continuar com essa cegueira das associações defensoras da propriedade intelectual ante o desenvolvimento tecnológico dos meios de comunicação e a evolução por que passa os modos como se processa a informação hoje em dia? É mesmo razoável que continuemos a tratar o consumidor comum como um criminoso por uma prática, que embora ilegal, considero totalmente legítima (no sentido amplo do termo). Ora, o que esperar de um espectador que, v.g., é apresentado a uma produção televisiva, a qual, depois de torná-lo fã, é subitamente tirada do ar a púrrio critério de empresários e produtores que trabalham apenas pelo dinheiro, sem nunca cogitar pôr a arte em primeiro plano? Espero ansiosamente pela sexta e última temporada de LOST na ABC, enquanto que a exibição da série na Globo em sua quinta temporada está prevista para janeiro do ano que vem. As empresas de comunicação, com raciocínio retrogrado, trabalham para manter o modelo clássico de distribuição da cultura e da arte em mídia; contudo, não vejo como sobreviverá, os tempos são outros.
Radiohead vendeu o seu último álbum lançado lá no longínquo ano de 2007 com preço inicial de $0,00, e mesmo assim fizeram dinheiro (e muito!). Isso é possuir fãs, quem é fã, é fã por um motivo, ele dificilmente desrespeitará o direito autoral de quem realmente aprecia. O “Sou” de Camelo eu comecei baixando uma, duas músicas, depois baixei as 12 faixas que saíram antes do lançamento numa mp3 contínua, quando postaram numa qualidade melhor, baixei novamente e escutei, mesmo assim, 2 dias depois do lançamento, chagava meu disco bonitinho original que comprei na pré-venda. A Apple já vende música com sucesso e lucro pelo iTunes, quase todas as grandes redes de tv americana e britânica já disponibilizam sem medo seus shows e séries em stream para serem assistidos pela internet a qualquer hora. Até a forma como se lê notícia está mudando, com o twitter dando informação 2 segundos a frente do fato, quem quer mais ler jornal impresso com notícia de ontem? Como eu disse, os tempos são outros. Diante da atual conjuntura, cujas circunstancias não apontei um décimo, é sensato pensar que é necessário a reciclagem da forma como vemos o direito autoral e a conseqüente mudança da lei? Eu diria que sim.
Eu quero todo
O mundo
Ser a natureza
Fria e bruta
Rodar o planeta
Conhecer tudo que cheira
Vida nossa, minha e tua
Ávido de novidades sou
Afoito sou inquieto
As ânsias não se acabam
Restam-me incompleto
Mesmo quando paro
Estou em movimento
Sôfrego impaciente
Sinto o tempo lento
Eu quero de tudo um muito
Seu amor fecundo
O quero imundo
Eu quero todo
O mundo
Fotografia do portfólio de Gloria Aniela
Tranqüilo, tranqüilo. Calma no Brasil! Sossega leoa, sossega a “piriquitita”, como diz Regolino. Olha a afobação. Pra quê tanta pressa? Por que tanta previsão? O mundo continua aí, como a sua vida, não vão fugir. Eu estou aqui. Olha pra mim. Pára um pouco.
Opa, pare aí um pouco eu por favor, do contrário ter-se-á este post aqui de ser reescrito em verso desse jeito. Na ânsia de querer falar o que estou para falar, também eu acabei me antecipando e quase coloco a carroça à frente dos burros, como diria a geração de 60. Bem.. passado o nonsense, eis a situação:
Todos aí preocupados com o futuro, não é mesmo? (Sim, leitor, estou falando contigo). Todos pensando no fim da faculdade, no concurso que têm que estudar para, na pós-graduação mais rápida que puderem fazer, na ruma de dinheiro que quererão ganhar para casar com os respectivos pretendentes (ou não), no trabalho por vir, na vida de adulto que baterá à porta. Logo, é preciso pensar e conjecturar e prever e antever as opções, pois o que nos aguardará o futuro, não é verdade?
Sinceramente, estou cansado dos comedidos, dos preocupados com a prova de hoje a 8 dias, dos que, antes de acabar o carnaval, compram a festa de São João, dos que antecipam. Querem antecipar até tua fala, teu pensamento – “já sei o que vai dizer”, “sei o que deve estar pensando” – ora, se já sabe, então não percamos tempo dialogando, faça você um monólogo com a tua e a minha parte e eu quedo aqui te escutando. Vejo as pessoas pensando tão a frente de mim, tão preocupadas, tão sem tempo para ficar e conversar, que às vezes penso se não estaria eu sendo imprudente em não lembrar do que acontecerá no dia depois de depois de amanhã.
Talvez seja realmente imprudência minha, talvez este texto de hoje seja um reflexo do meu caráter procrastinador (o que sou assumidamente), mas fato: enfastiam-me aqueles que fazem tantos planos a longo prazo, afinal, o que há de tão especial assim nesse futuro? Por que o futuro contém tanta felicidade? Não poderíamos, por acaso, sermos felizes agora? Projetam-se tanto deles mesmos no futuro que parece que o presente é um eterno processo de feitos, feitos que devem ser comedidos e precisamente calculados para alcançarem um propósito maior, que está sempre à frente, um porvir (ou devir, ê lelê Nietzsche) que garantirá a tal felicidade vindoura.
Não parece-lhes certo que talvez a felicidade possa estar garantida no momento, naquele específico momento que você ria com um amigo, que você beijava (ou pecava com) sua namorada(o), que eu e você brindávamos à mesa de um bar. Confio no que tenho, não no que terei ou no que me aguarda, até por que o tempo pode transformar tudo que tenho em nada, como numa ilusão. De modo que, caso um dia decidirem parar um pouco a rotina de seus importantes afazeres de planejamento futurístico, liguem para mim e paguem-me um cowboy [risos.. brincadeirinha], sério: apenas façam alguma coisa de agradável, alguma coisa que há muito os prazos impediam que o fizesse. Sei lá, isto aqui não é auto-ajuda: Reproduzam a espécie, meus filhos! Desfrute seu presente.
Agora, por favor, não pensem que isto aqui é filosofia nova, saibam que é século XXI e tudo já foi, de algum modo, pensado. É 2009, e como repensei este assunto, reproduzo-o aqui com as minhas palavras e minha humilde opinião sobre o caso. Então, ladies and gentlemen, com vocês, meu preceptor que dispensa apresentações, Arthur Schopenhauer:
“Planos e preocupações com o futuro, ou também a saudade do passado, ocupam-nos de modo tão contínuo e duradouro, que o presente quase sempre perde a sua importância e é negligenciado; no entanto, somente o presente é seguro, enquanto o futuro e mesmo o passado quase sempre são diferentes daquilo que pensamos. Sendo assim, iludimo-nos uma vida inteira”.
Desejo aditar ainda que desencorajo percepções carpe diem da visão que expus, pelo menos não como o da acepção da escola árcade do final do século XVIII, pois quem vive em demasia no presente são os levianos/ inconseqüentes/ irresponsáveis/ como queiram. Só o que eu peço aqui é um pouco de imprudência, até um pouco da saudável loucura momentânea, ou mesmo a simples "colheita do dia" de Horácio, uma inocente idéia como esta: “Gleyson, vamos beber hoje até lamber o asfalto?” Eu diria: “Por favor, caro amigo, por favor”.
P.S.: Pra terminar, saca só a maluquice (ou genialidade, se preferirem): “A maior sabedoria é ter o presente como objeto maior da vida, pois ele é a única realidade, tudo o mais é imaginação. Mas poderíamos também considerar isso nossa maior maluquice, pois aquilo que existe só por um instante e some como sonho não merece um esforço sério.” (SCHOPENHAUER, Arthur. O Mundo como Vontade e Representação).