terça-feira, 25 de janeiro de 2011

AFK

sopa_de_letras[1]
Não sei mais escrever, agora só sei peticionar. Nada de desenvolver uma linha de pensamento pessoal, hoje só escrevo de acordo a lei e o caso estudado. Não sei  mais redigir 30 linhas de espontaneidade, que dirá 2 laudas, o que faço é tuitar em até 140 caracteres. Importa-me o sintético. É o fim do analítico. Sério! Não é crítica. Até porque eu não mais saberia como escrever uma. É um desabafo.. uma constatação.. não me recordo da última vez que peguei meu caderninho da gaveta, na madrugada, e escrevi.. só por escrever.

Do que restou da protopoesia? Hoje fui reler alguns velhos e nem sequer tive coragem de refazê-los/corrigi-los (ímpeto que sempre acometia-me (sempre)). Agora vivo de “curtidas” e comentários, duas, três palavras no máximo. No meu email, sinceramente, há muito que nem entro mais, acho que tenho medo de que lá haja algum email que mereça uma resposta. Ora, o email é um espaço infinito, não há limitações. Como preencher um espaço tão grande ante nosso moderno mundo atual em que tudo anda, fala, pensa, transmite-se tão depressa?

Devo ter medo. Medo de que o que eu escreva já tenha sido escrito há apenas 2 minutes ago, ou talvez o meu receio seja de que minha opinião não interesse a quem me segue.. Isso explicaria o porquê de eu não mais dar opinião e simplesmente retuitar notícias. O que fazer? Sou mero produto do meio? Sim, concordo. Mas e aí, quer dizer que eu não tenho escolhas? Não pode ser só isso. (Acho que é isso também) Por que sempre queremos pôr a culpa em outra coisa? ... Agora já começo a divagar e a complicar para o leitor... Vê? Como não consigo escrever? Mas o que querem de mim? O que esperam? A faculdade me deixou BURRRO! Já assim explicou @salihamidzic e por isso não me despenderei no assunto.

Mas a despeito disso, que lhe interessam o que escrevo? Interessante ou não.. bom ou ruim.. para falar a verdade, acho que antigamente eu só escrevia porque achava bonito ver meus textos publicados no blog. Hoje parece que tudo que eu escrevo tem que ter uma serventia. Talvez seja esta a causa de meu receio. E se eu escrevesse sem ter por que, sem por e pra onde? Então possivelmente você não me levaria a sério. Mas quem realmente quer algo assim? Eu nem sei mais sobre o que eu estava falando no primeiro parágrafo. Bom, eu te avisei. Ê lelê..

sábado, 14 de agosto de 2010

.42

Há patos na lagoa
E tem um que se afunda
Pobre pato...
Pobre pato?
Será o benedito?
Ou Ubaldo?
Que nada?
Nada disso
Ali quem ia era outro
Uma patota!
Nadando e mergulhando
Fazendo graça de afundar-se
Fingindo suicidar
Opa!
Que nada!
Patacoada...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

.55 Prosopopéia

Eu no meio e as paredes se apertam;
Deveríamos sê-las; como elas,
Romper as barreiras de janelas,
Portas, armários e outras duas paredes que lhes
                                                        [arrestam.

Pois sim, parece que minhas paredes
                              [apaixonaram-se.
O verde mais verde que existe,
O mais alegre e o mais triste.
Que dá verde com vermelho sangue?

Coisa extraordinária é a paixão!
Não há maior incêndio (falo de cadeira).
Faz-te diverso de ti, põe-te duplo em si.
Por isso, não me chamem tentando encontrar-me,
                                                [pois não estarei.

Aqui não sou eu; para o momento de eternidade:
Sou eu duas linhas, sou meu eu apaixonado,
Somos eu e a parede, somos o mesmo espaço.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Sad news

lhasa (2) Ontem fui pego desprevenido.. enquanto procurava onde estavam as últimas partes de seus vídeos filmados em Montreal, fiquei sabendo da mais triste das notícias.. morreu, no começo deste ano, uma de minhas mais tenras paixões: Lhasa de Sela. Senti que tinha de homenageá-la de alguma forma aqui (ou mesmo somente dela lembrar, como faço agora), mas pensar em qualquer coisa para escrever mostrou-se pretensão além do meu alento, eis que passo agora apenas a traduzir o último press release oficial sobre aquela que alcunhei de Florbela Espanca da música:

Official press release

Para imediata publicação

Em Montreal, Canadá: Domingo, 3 de Janeiro de 2010

A cantora Lhasa de Sela faleceu em sua casa em Montreal na noite de primeiro de Janeiro de 2010, logo antes da meia-noite.

Ela sucumbiu a um câncer no seio depois de uma longa luta de vinte e um meses, a qual enfrentou com coragem e determinação.

Através deste difícil período, ela continuou a tocar as vidas daqueles ao redor dela com sua graça característica, beleza e humor. A sua força de vontade levou-a novamente para o estúdio de gravação, onde concluiu seu mais recente álbum, seguido pelo sucesso da gravação de seus principais lançamentos em Montreal, no Théatre Corona e em Paris, no Théâtre des Bouffes du Nord. Dois shows na Islândia em maio acabaram sendo seus últimos.

Ela foi forçada a cancelar uma longa turnê internacional agendada para o Outono de 2009. Um futuro álbum projetado com as canções de Victor Jara e Violeta Parra também foram descontinuados.

Lhasa de Sela nasceu em 27 de setembro de 1972, em Big Indian, Nova York.

A infância incomum de Lhasa foi marcada por longos períodos de vagueação nômade pelo México e pelos EUA, com seus pais e irmãs no ônibus escolar que faziam de casa. Durante este período, as crianças improvisavam, teatralmente e musicalmente, representando para seus pais todas as noites. Lhasa cresceu em um mundo impregnado com a descoberta artística, longe da cultura convencional.

Mais tarde Lhasa tornou-se a artista excepcional que o mundo inteiro descobriu em 1997 com La Llorona, seguido por The Living Road de 2003, e o auto-intitulado Lhasa de 2009. Estes três álbuns venderam mais de um milhão de cópias pelo mundo.

É difícil descrever a sua voz única e presença de palco, o que lhe rendeu status de ícone em muitos países ao redor do mundo, mas alguns jornalistas têm-na descrito como apaixonada/passional, sensual, indomável, terna, profunda, perturbadora, encantadora, hipnótica, silenciosa, poderosa , intensa, uma voz para todo o tempo.

Lhasa tinha uma forma única/singular de comunicação com seu público. Ela se atreveu a abrir seu coração no palco, permitindo que seu público experienciasse uma íntima conexão e comunhão com ela. Ela afetou profundamente e inspirou muitas pessoas pelas cidades e países que visitou.

Um velho amigo de Lhasa, Jules Beckman, ofereceu estas palavras:

"Nós sempre ouvimos algo ancestral vindo através dela. Ela sempre falou a partir do limiar entre os mundos, como se fora de seu tempo. Ela sempre cantou a tragédia humana e o triunfo, alienação e procura com uma sabedoria testemunhal. Ela colocou sua vida aos pés do Invisível ".

Lhasa deixa para trás seu companheiro Ryan, seus pais Alejandro e Alexandra, a madrasta Marybeth, seus 9 irmãos e irmãs (Gabriela, Samantha, Ayin, Sky, Miriam, Alex, Ben, Mischa e Éden), seus 16 sobrinhos e sobrinhas, seu gato Isaan, e inúmeros amigos, músicos e colegas que acompanharam-na ao longo de sua carreira, para não mencionar seus inúmeros admiradores em todo o mundo.

Sua família e amigos íntimos foram capazes de chorar em paz durante os últimos dois dias, e muito têm apreciado este período significativo de tranquila intimidade. Funeral e demais serviços serão cuidados particularmente.

Tem nevado por mais de 40 horas em Montreal desde a partida de Lhasa.

(Traduzido livremente a partir do “2010-01-03 - Press release”, disponível em <http://lhasadesela.com/lhasa_de_sela/menu.php?lang=en>, acesso em 11/01/2010).

lhasa2 
Good bye, Lonely Spider
Serás siempre bella al mundo
Et aimé pour d'innombrables époques

“Lhasa de Sela: Live in Montreal”, a film by Vincent Moon:
1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7

Scène Glenmor - “De cara a la pared”:

"La celestina":

Festival d'été de Québec 2005 - “Pa'Llegar a tu Lado”:

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Top 5 álbuns de 2009

Aproveitando que neste naquele memorável dia de 04 de dezembro vazou o disco novo de Mallu Magalhães, resolvi terminar a lista dos melhores álbuns de 2009 na minha opinião.Fazer esta lista esse ano foi dureza, para se ter uma parca idéia: da primeira parcial publicada em julho tive que retirar 5 álbuns!
Foram lançados muitos discos ótimos de janeiro a dezembro, e, surpreendentemente, neste ano o Brasil comandou na minha lista geral.. que bom! Enfim, os eleitos:

1. Estudando A Bossa: Nordeste Plaza (Tom Zé)
Bada-badi, bada-badá! Na terceira edição dos “Estudandos” (os outros foram o “Estudando o Samba” em 1975 e o “Estudando o Pagode” em 2005), Tom Zé explica a Bossa e a história do produto do grau mais alto da capacidade humana já produzido pelo Brasil nesse disco cheio de síncopes e bim-boms. Álbum “sério” de quem é um dos maiores mestres contemporâneos (leia-se de 40 anos pra cá) na arte de fazer música! "Esse verdadeiro documentário sonoro", citando o Maestro Júlio Medaglia. Não há muito que deva-se dizer, só escutar! Favoritas: Outra Insensatz, Poe!, Síncope Joãobim, João Nos Tribunais, Roquenrol Bim-Bom.

2. Navega (Mayra Andrade)
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgO6CXj__0dMo10wiw2DtsBxhFb1dXIBt4hutEXzaxjqC-47IAmrsE7MuKKBMtn_tfGKC8Z1kYMbDhY5K-2xDM2-VqUTTGQDWQz1lv_BdiW-wgMaCzr3MAgyieVswFXAjt_u9D-kw/s320/mayraandrade.jpgMayra Andrade é a cabo-verdiana que tomou meu coração de assalto no começo do ano. A vi pela primeira vez num vídeo do youtube (apagaram =/) em que ela cantava com Mariana Aydar a música Tunuka, vídeo que a mim foi “recomendado” por Caetano Veloso através de seu antigo blog; e foi através dela e dele que passei a conhecer  também Orlando Pantera, autor de Tunuka e Lapidu na Bo e futuro expoente de Cabo Verde, se não fosse pelo acidente trágico que levou à sua morte prematura. “Navega” é cantado todo no dialeto crioulo – com exceção da faixa Comme s'il en pleuvait, em francês – e da mesma forma que a língua encanta, assim faz também o “poder suave” da voz de M.A. e de todas as músicas, cuja originalidade é de deixar qualquer um estarrecido.. uma melhor que a outra! Favoritas: Regasu, Mana, Tunuka, Lapidu Na Bo, Navega, Lua.

3. Tonight: Franz Ferdinand (Franz Ferdinand)
http://3.bp.blogspot.com/_RZZEzqiR9hs/SXGPVcGWi_I/AAAAAAAADnI/CPBXp5NN_fs/s400/Ferdinand+-+Tonight+Franz+Ferdinand+2009+(Full+Album).jpgMuito esperado. Esperadíssimo! O mais esperado do ano! E isso tende a ser ruim, pois muitas vezes as bandas indies acabam não correspondendo à expectativa, mas não,  isso não aconteceu com Franz Ferdinand. O “Tonight” correspondeu a todas as minhas expectativas. Poha niuma! As superou de lavada! Foi como acordar com um banho de água gelada na cara.. Acorda, que Hoje à noite: Franz Ferdinand! Impossível ouvir esse disco apenas sentado na cadeira. Desafio: tente não dançar! Favoritas: Can't Stop Feeling, No You Girls, Ulysses, What She Came For, Live Alone, Lucid Dreams.

4. Lhasa (Lhasa de Sela)
Mi pasión. Ma passion. My love. Lhasa é linda sob todas as formas, mesmo ficando careca, eu sempre a acharei das mais lindíssimas das mulheres! (Curioso como o artístico/espírito influi no físico). E devo agradecer aqui – mesmo que indiretamente – a uma pessoa a mim muito especial, quem me apresentou Lhasa, juntando esta nova paixão ao já desordenado emaranhado de mulheres que é meu coração [culpa tua, vês?]. Enfim, Lhasa de Sela é quem considero ser a Florbela Espanca da música. Ela sofre, ela chora, ela é triste e você consegue perceber toda essa emoção na sua voz única e marcante, mas ao mesmo tempo ela sorri enquanto canta, ela deleita-se na sua própria amargura, e o faz delirar com ela. Ela é artista no melhor sentido do termo: “Eu nunca quis ser uma estrela pop. Queria fazer música do fundo do meu coração. A carreira artística é importante, mas para mim a minha vida tem ainda mais valor. Quero ser verdadeira para comigo. Senão sou apenas uma operária da música.” E seu terceiro disco, que leva seu nome, expressa exatamente esse desejo, trazendo o álbum dessa vez todo em inglês, ela canta músicas de alma, de amor fecundo, de soror saudade, de charneca em flor.. poesia em música! Que posso mais dizer? Ouçam. (E ouçam também “La llorona”, álbum em espanhol, e “The living road”, em suas línguas maternas e em francês). Favoritas: Is Anything Wrong, Love Came Here, Anyone and Everyone, I'm Going in, The Lonely Spider, A Fish on Land.

5. Zii e zie (Caetano Veloso)
ziiezieGraças a deus, Caetano e Chico ainda fazem discos, ainda compõem, ainda musicam o Brasil! E neste ano, a vez foi de Caetano com seu '”zii e zie” ou “tios e tias”, nome escolhido como forma de aproximação com São Paulo, mesmo sendo um álbum, essencialmente, de samba carioca e de cenário literário tipicamente brasileiro, com “letras que olham para mais longe” do que no a/i/nterior “Cê”, conforme diz o próprio. Negros, asfalto, pneu e mar, é assim que Caetano descreve a cena de clima noturno da música Por quem?, a mais alta e misteriosa (e por isso e mais, belíssima) do disco, se não de toda obra do cantor. Nesta sua fase, ouve-se um Caetano ao encontro da velhice, ao mesmo tempo em que está alheio a ela, um safado, um despreocupado, que já passou do tempo de se importar com a crítica e de prender-se a  qualquer coisa que seja; ante guitarras transambas, arranjos estranhos e perfeitamente produzidos, está o Caetano que nunca deixa de ser original, mesmo trazendo no novo trabalho dois sambas antigos, Incompatibilidade de Gênios e Ingenuidade, gravados originalmente por Clementina de Jesus e através dos quais Caetano começou a pensar na realização do CD, que foi novamente gravado em conjunto com a bandaCê – Marcelo Callado, Ricardo Dias Gomes e Pedro Sá – unida para a consecução do álbum lançado em 2006. Zii e zie: Mais um para a discografia básica brasileira. (Registre-se que Los Hermanos é citado em uma das músicas, além de também o ser no pre-release, bem como o produtor  Kassin).  Preferidas: Por Quem?, Lobão Tem Razão, A Cor Amarela, Base de Guantánamo, Falso Leblon, Diferentemente.

…to be continued

sábado, 21 de novembro de 2009

.22 Que é de Nelson Rodrigues?

Que magia fora esta?
Ao meu coração que propina deste?
Não gosto d'outra, ora essa?

Não, por ti só
Temo que meu amor confesse

Qual o que? Será fato?
Que é de meu domínio?
Que me faço acordado?
Pensando em ti a essa hora?
Deu-se a melodia. Isola!

Ficar a depender de ti
É padecer sem ter porvir.

Comigo, não, violão.
Que sorte mais vil!
Sossega meu coração.
Calma no Brasil.